7 de março de 2012

Formação, afetividade e capacidade dos padres em debate


Roma (RV) – Excesso de trabalho, estresse, dificuldade de ajudar o próximo, carências afetivas, abusos, etc...: cada vez mais, os padres estão pedindo ajuda aos psicanalistas. Com base nesta consideração, o Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Salesisana promove o seminário “Padres no divã: facilidades e dificuldades do trabalho pastoral”, segunda-feira, 12 de março. 

“Para atender aos novos desafios, os padres devem tomar conta de si mesmos antes de pensar nos outros porque ninguém é onipotente, e os padres também devem renunciar a alguma coisa e enfrentar seus próprios problemas. Também do ponto de vista afetivo, devem cultivar amizades verdadeiras, pois a afetividade não pode ser simplesmente removida” – diz um relator. 

Padre Giuseppe Crea, comboniano e psicoterapeuta, afirma que “é preciso renovar o trabalho dos padres, porque está em jogo a responsabilidade do contato com as pessoas”. “Se não se enfrentarem estes problemas, o risco é que as pessoas não confiem mais na Igreja e elas se esvaziem”. 

Padre Crea acrescenta que não pode ser subestimada também a questão dos abusos: “é importante cultivar a capacidade de preveni-los, fazer uma seleção adequada para evitar depois ter que ‘reparar’ os danos”. 

Na lista dos participantes do congresso constam o professor Leslie Francis, anglicano, professor e autor de dezenas de monografias sobre problemas do clero; o professor jesuíta Hans Zollner, da Universidade Gregoriana; a historiadora Lucetta Scaraffia, docente na Universidade Sapienza de Roma e colaboradora do L’Osservatore Romano; e vários especialistas e jornalistas. 

O principal objetivo é evidenciar os problemas ligados à formação dos sacerdotes, às dificuldades na escuta dos outros, ao relacionamento com as mulheres, e à incapacidade muitas vezes demonstrada pelos religiosos de colaborar com seus ‘colegas’. 

Outro problema é que em muitos países, um padre só deve cobrir várias paróquias distantes entre si, somando ao estresse a tristeza da solidão. E também os bispos são chamados a ser mais sensíveis aos problemas de seus sacerdotes. 

Enfim, o objetivo geral da iniciativa é “abrir uma janela aos problemas de que se fala pouco” – explica o Professor Zbigniew Formella. Por isso, a agenda prevê um espaço para o debate. “É preciso intervir: com autoridade, com constância, com um projeto. E a psicologia ajuda”. 

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