14 de janeiro de 2011

A Wicca: A nova «bruxaria» que fascina os jovens

Entre os fenômenos esotéricos citados pelo recente documento da Santa Sé sobre a Nova Era --«Jesus Cristo, portador da água viva»--, encontra-se a Wicca, uma nova forma de bruxaria que está estendendo-se entre os adolescentes e jovens em muitas partes do mundo.

Para compreender melhor este fenômeno, Zenit entrevistou a Carlo Climati, jornalista e escritor italiano que acaba de publicar na Espanha o livro «Os jovens e o esoterismo: Magia, satanismo e ocultismo: o truque do fogo que não queima» na editora Ciudad Nueva (http://www.ciudadnueva.com), livro que já é um best-seller na Itália e em países da América Latina.

--O que é a Wicca?

--Carlo Climati: É um culto neopagão que tem sua origem no mundo anglo-saxão e se apresenta como uma espécie de «bruxaria boa». Não é nem uma seita nem uma organização com líderes ou estruturas precisas. É simplesmente uma corrente de pensamento esotérica a que se pode aderir qualquer pessoa sem um compromisso particular.

--O que propõe esta corrente de pensamento?

--Carlo Climati: É uma mescla de paganismo, magia e superstição. Também se dá uma veneração exagerada da natureza, até o ponto de ser divinizada e adorada. Os seguidores da Wicca crêem na reencarnação, que consideram como uma «evolução da alma». Praticam uma série de ritos mágicos: desde encantamentos de amor até cerimônias para enriquecer-se ou «atrair o dinheiro». As vezes, se dirigem a espíritos, entidades não físicas ou divindades pagãs, como quem reza ao deus astado (itifálico, patas de cabra, corpo veludo, chifres de cervo ou cabrito).

--Por que a Wicca se apresenta como «bruxaria boa»?

--Carlo Climati: Porque os seguidores da Wicca dizem que não querem o mal para ninguém e que rejeitam o satanismo. Contudo, do meu ponto de vista, a Wicca não pode ser considerada como um culto positivo. Em alguns casos, propõe rituais com os que se quer exercer poder sobre as pessoas. Não obstante, os seres humanos não são marionetes que podem ser controlados segundo os próprios gostos.

Outro aspecto negativo é o de superstição. Os seguidores da Wicca estão convencidos de que as pedras, as ervas, e o vento contêm particulares energias capazes de produzir efeitos sobre a vida cotidiana. Deste modo acabam convertendo-se em escravos de objetos, amuletos e talismãs.

--É verdade que a Wicca tem êxito entre os jovens?

--Carlo Climati: Infelizmente, sim. Alguns filmes tornaram a Wicca popular. Até mesmo algumas revistas para adolescentes falam dela com freqüência, propondo-a como uma espécie de «religião alternativa». As meninas, sobretudo, ficam fascinadas pela idéia de ser «bruxas boas», utilizam os rituais da Wicca para resolver os problemas da vida cotidiana. Fecham-se em suas casas e preparam autênticas cerimônias com velas, incenso e pequenos altares dedicados a alguma divindade rara.

--Crê que isto pode ter riscos?

--Carlo Climati: O risco que se esconde por trás da Wicca é claro. É o convite a crer que existe uma «magia boa», uma espécie de «aliada» para resolver os problemas da vida de todos os dias. Uma vida que, no caso de muitos jovens, está dominada pela solidão, a ausência do diálogo familiar, as dificuldades nos estudos ou nos primeiros passos no mundo do trabalho.

Quando alguém está só é mais fácil que seja vítima da magia e da superstição. Agarra-se a tudo, inclusive a um amuleto. A Wicca, do meu ponto de vista, encontra terreno fértil na vida de muitos jovens que com freqüência está caracterizada por situações familiares difíceis, falta de comunicação, silêncio, decepções e incerteza sobre o futuro.

--Que efeito a Wicca poderia ter no comportamento dos jovens?

--Carlo Climati: Em longo prazo, existe o risco de se difundir entre os jovens a falta de compromisso. Confiam em algo alheio a própria vida para resolver um problema. Os jovens renunciam a comprometer-se para alcançar um objetivo, deixando tudo nas mãos das supostas «energias» de algum ritual ou amuleto.

É a lei do «quero tudo e o quanto antes». Gosto de uma menina? Em vez de conquistá-la com simpatia e doçura, o seguidor da Wicca confiará em um rito mágico. Tenho uma dúvida sobre o futuro? Em vez de utilizar a cabeça para encontrar uma solução inteligente ao problema, abandona-se nos braços da Wicca. O mesmo acontece com os exames na escola e na universidade.

--É possível ajudar os jovens para que não corram estes riscos?

--Carlo Climati: É necessário incentivar uma nova «cultura do compromisso» que valorize os pequenos esforços da vida cotidiana para alcançar um objetivo particular. Se queremos conquistar uma garota, não há que se comprar um amuleto, mas presenteá-la com um buquê de flores.

Ademais, é oportuno promover uma «cultura do limite», isto é, fazer os jovens compreenderem que não se pode ter tudo. É necessário saber aceitar os próprios limites. Si não consigo ter o amor de um garoto ou uma garota, não serve de nada a Wicca para mudar a situação. Devo aceitar este pequeno fracasso e voltar a submergir-me na vida de todos os dias, buscando com novo entusiasmo o verdadeiro amor.

Um sadio redescobrimento da cultura do limite e do compromisso pessoal poderia ajudar sem dúvida os jovens a serem mais felizes, a enfrentar melhor a vida, superando incertezas e medos. E sem necessidade de recorrer às superstições da Wicca.

FONTE: http://www.zenit.org/article-225?l=portuguese

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